Refúgio l "Refuge"

Projeto de inscrito no Festival de Arte Lanzarote (Lacuna Festivals 2020) (Espanha)

Intervenção site-specific

20 x 20 cm Ø; 20 x 30 cm Ø; 10 x 40 cm Ø.

Esferas de vidro sobre paisagem.

Observação: o projeto não pôde ser realizado fisicamente, por migração do Festival de Arte Lanzarote para ambiente digital. Sendo assim, o trabalho foi inserido numa galeria virtual do evento.

A viagem da perda

"A ideia de perder algo, especialmente quando se trata de algo valioso para nós, é como um combustível para a imaginação. Basta reconhecer que aquilo não está onde esperávamos que nossa mente começa a andar por um corredor de possibilidades, recheado de imagens que buscam nos dizer onde está aquilo que precisamos, onde devemos procurar, como vamos encontrar. Nosso ânimo muda, expectativas crescem e passamos a desejar cada vez mais a tão aguardada surpresa de encontrar o que precisamos, seja onde for. Podemos arriscar dizer que esta é uma espécie de “linguagem universal” do sentimento da perda material.

Mas existe um outro aspecto da experiência de perda; uma outra voz que pode estar dentro de uma mesma história. Pois, para toda perda existe, ao menos a possibilidade, um encontro. Às vezes, para algo que está perdido, o encontro é tudo que existe. E quando isso acontece conosco, quando nossos olhos confrontam um corpo estranho que simplesmente resolve aparecer em nossa frente, a surpresa deste encontro também pode fazer nossa mente vagar por um grande corredor de possibilidades o que nos faz pensar o que é isso que vemos, de onde vem, como foi parar ali.

A proposta de Geraldo Zamproni para este Lacuna Festival busca justamente colocar o público dentro desta experiência. A obra tenta fazer o público brincar com o conceito de “achados e perdidos”, enquanto este explora um trabalho fragmentado e o amplo ambiente em que se insere. Para fazer isso, propõe uma intervenção nas paisagens idílicas das ilhas Lanzarote ou Fuerteventura, inserindo ao longo da costa, sobre as areias e pedras, vários objetos não pertencentes àqueles locais. Estes objetos escolhidos pelo artista não são itens banais do dia a dia, mas são incomuns e, no contexto da paisagem local, até misteriosos: tratam-se de dezenas de esferas de vidro de diâmetros diferentes, que serão “espalhadas” de forma quase despretensiosa – mas bastante calculada. A intervenção destes objetos na paisagem leva em consideração o efeito pretendido no público, que é o da mais espontânea surpresa. Este efeito, na verdade, é buscado tanto através da instalação do trabalho quanto pelos objetos que o compõem, pois o artista considerou justamente a necessidade de confrontar o público com elementos que fossem intrigantes, estranhos naquele local. Dessa forma, as esferas de vidro são pensadas como objetos que, por sua unicidade, podem muito bem parecer que foram perdidas ali, e estão esperando para serem encontradas.

Com isso em mente, o artista busca oferecer uma experiência lúdica, colocando o público para descobrir e encontrar objetos que foram “perdidos” propositalmente. Assim, a obra estimula a imaginação dos visitantes, fazendo os pensar: “o que mais se esconde nesta paisagem?”, ou melhor, “o que mais foi perdido por aqui?”.