Tramas Vitais / Vital Weafts

2021

Dimensões variáveis / Variable dimensions

Site-specific

Fibra de vidro, tecido e peças metálicas  /  Fiberglass, cloth and metal parts.

Bienal Sur 2021 - Museu Oscar Niemeyer

No meio do caminho entre o que é e poderia ser

As tramas precisam incomodar, perfurar, instabilizar. Depois, unem, fazem seu trabalho. É da sua natureza oferecer certo risco antes que cheguem lá. Pronta, esconde o processo que a produziu, o desgaste e as espetadas. Revelar a agulha é ver um pouco do percurso tortuoso que fez chegar até aqui. No caso de Zamproni, a tarefa é essa que se ostenta: quais são os caminhos para mostrar o improvável? Ele já os trilha há algum tempo, medindo e preenchendo espaços que ainda não existem. Enxergá-los é o primeiro passo. No passado, sustentou o vazio de marquises e prédios com confortáveis almofadas, fez flutuar pesados pilares na água, construiu paredes com zíperes. Do início ao fim, o processo é um intercâmbio entre ideia e matéria, uma divisão de terrenos entre o que é possível e o espaço disponível para o impossível habitar ali. O ponto de partida parece sempre ser um grande “e se?”. O jogo de imagens e simulações vai além do que a princípio pode parecer, porque a forma convida o imaginário. O objeto não é só o que tenta ser mimeticamente, mas aquilo que mora no universo familiar das coisas e seus sentidos. Logo, é dependente do ambiente que ocupa e do outro que vê: desafia aquele com seu corpo estranho e convida este a recordar do passado.

As tramas vitais tecidas aqui não são tão óbvias. Partem do museu à cidade e podem formar um caminho tão amplo que trabalha tanto a memória quanto a imaginação. Contudo, parece ser este mesmo o caminho ideal. Zamproni não dita sentidos a serem descobertos, seus objetos já tomam a frente na conversa com a percepção, convidando o imaginário do espectador. Os diálogos entre o museu e uma grande agulha começa ruidoso, envolve olhos, corpo e ambiente numa ampla costura. Talvez, não se fique à vontade em sua presença, mas fazer tramas é mesmo assim.

 

 

Texto por Renan Archer*

 

Curador, crítico e pesquisador, graduado em Artes Visuais e pós-graduando em História pela Universidade Federal do Paraná.

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